quarta-feira, 10 de março de 2010

É tudo culpa da camisa

Zé ergue o braço, tímido, ora levantando o dedo onde carregava uma discreta aliança dourada, e tenta pedir o primeiro chopp pro garçom.
-Amigo, ei amigo, ami...
E o garçon não o vê (ou vê?). Zé tinha suas dúvidas:
"Deve estar me achando com cara de pobre... Será que tenho cara de pobre? Devia ter
vindo mesmo com uma camisa social... Ah, mas o Manuel falou que assim parecia mais jovem. DEVIA TER VINDO DE SOCIAL"

O garçom finalmente, após três tentativas frustadas, faz um sinal de "já vou" com a palma da mão aberta. Alguns minutos depois chega à melancólica e solitária mesa de Zé.

-O que o senhor deseja?
-U... Um choppinho
"Será que não é ridículo pedir um chopINHO? Ah, o garçom deve estar querendo rir de minha cara" Zé pensa inseguro...
-E qual seria o chopp, senhor?
Zé não entende NADA de chopp, só bebe, tanto fazia o chopp oras...
-Quais o senhor têm?
-A casa serve Eisenbahn e Krieg, senhor
Para José, o garçom falava grego. Optou pelo que, segundo ele, tinha cara de mais barato, pois o nome lhe era mais familiar.
-Eisenbahn (e se atrapalhou todo na pronúncia), por favor. (Krieger era muito "menos caro")

A espera pelo chopp parecia eterna, ele cogitava, a cada 60 segundos, perguntar se mandaram pedir seu "Aizenbarrãm". Após uns 7 minutos, chegou. José agradeceu o garçom e, após neuróticos segundos pensando sobre seu pedido de "choppinho" (e, ora se envergonhando, ora achando natural), finalmente dá uma olhada em volta.
O bar é chique, cheio de grupos de amigos, amigas, gente nova e velha. Ninguém sozinho ("o que pensam de mim, aqui sozinho... Que não tenho amigos? Vou mostrar praquelezinhos da mesa do lado como tenho um monte de amigos em Floripa, um dia trago o pessoal todo aqui!")

Zé toma seu chopp. Já menos desinibido, pede mais um CHOPP para o garçom (nada de "zinho").
Bebe feito água. Pede mais um com um gesto, levantando o copo vazio, e mais outro, e assim sucessivamente. Começa a observar algumas pessoas com curiosidade: Um homem, em um grupo de amigos, falando com uma mulher intimamente, esperando a hora correta de dar o "bote". Ele torce pra que o homem não consiga. Pura Inveja.
Depois de 5 chopps (ele olha na comanda pra lembrar quantos tomou), algo muda no bar. Uma mulher entra. DUAS, ela tem uma amiga. João treme na base.
Ora, não estava em São Paulo para negócios? O que fazia no bar? Será que aquele discurso de Manuel sobre mulheres valia "Ah, Zé, lá em "Sampa", a Marcinha nunca vai desconfiar de nada, pô!". A sensação de liberdade, de estar pela primeira vez tão longe da esposa, o permite olhar descaradamente para a loura linda e a morena "meia-boca" (como ele descreve em sua própria mente) que adentravam aquele estabelecimento onde se encontrava sua solitária, mas cada vez menos melancólica mesa.
Zé espera que uma delas retribua seu olhar, e torce para que sentem-se na mesa ao lado, de onde o homem, o qual antes cortejava a mulher, fora embora com o grupo, sem ter beijado a mulher, para a alegria ridícula de José.

Elas sentam-se na citada mesa. Zé mal pode conter o ímpeto de comemorar, e chega a cerrar o punho direito e vibrar discretamente. Pensa na esposa, nos filhos, mas depois do oitavo chopp, já pensa diferente "Vá tudo pro inferno, aconteceu em São Paulo, fica em São Paulo!"

José, já menos tímido, pede mais um chopp:
-AÍ CAMARADA, EI! MANDA MAIS UM AQUI PRO ZÉZINHO!
Esse era o último. O último antes de ir falar com uma das duas. Com a "meia-boca", pois a bonita, era "areia demais pro caminhãozinho dele". Como ele queria que Manoel estivesse lá, com sua confiança inabalável, para conversar com a outra enquanto ele encaminhava seu primeiro (e "ÚNICO, ÚNICO!" Adultério). Após o último chopp, se sentindo bêbado o suficiente pra falar com a morena, após olhar insistentemente para ela a noite toda, recebendo, vez ou outra, olhares tão discretos que o faziam desconfiar de que fossem somente uma passagem de olhos, como os que ele antes dera em todos do bar. Esse fato o fez, mais uma vez, fraquejar no momento crucial. Mais um chopp, "o último e pronto!" pensava.

"E a camiseta, pareço um favelado com essa camiseta! Só o Manuel mesmo pra me dar um conselho de merda desses! Ela vai achar ridículo"

Precisou de mais 3 "últimos e pronto!", até que tomou alguma coragem, encheu o pulmão de ar, e cutucou a "meia-boca" incrivelmente embriagado e tímido.

-Oi, posossaberseunomi?
"NÃÃÃO! O QUE FOI QUE EU FIZ, FALEI ENROLADO, FALEI BAIXO, INSEGURO, RIDÍCULO" sentiu-se sóbrio instantaneamente.
-Suellen_ respondeu a moça, seca.
"ELA ENTENDEU! UHUL! E AGORA, E AGORA, O QUE PERGUNTO? MEU DEUS, E A MARCINHA LÁ EM FLORIPA, E MEUS FILHOS... O QUE EU FAÇO?" Ficou uns 10 segundos parado encarando a desinteressada morena, até que teve uma luz. Uma luz fraquinha, amarelada em sua mente... Mas "antes falar bobagem que ficar lá, parado como um... como uma... parede(?)"
-Tens horas?
-O QUE?
Ele aponta pra um relógio imaginário no pulso
-Horas (e sorri amarelo)

Ela entende, responde, ele nem ouve. Pede a conta. Faz uns cálculos de bêbado e calcula 60 reais. "Uns 70 ainda é meio barato, porque tem os 10%. 80 é O.K. Se for 90, tá caro, aí sim, tá caro." A conta chega. 75 reais. Paga no cartão, achando barato e levanta-se meio empurrando a mesa, o que o deixa envergonhado.
Tenta passar ao lado da mesa das moças parecendo confiante, mesmo já tendo desistido de qualquer investida, mas enquanto passa ele se sente meio curvado de tensão. Quando está quase na porta, a morena o chama:

-Ei, senhor, esqueceu o celular!
SENHOR?! Ele podia aguentar tudo, menos um "senhor". Nem a camiseta descolada o ajudara a parecer mais jovem? Existe senhor de 35 anos? Profundamente ofendido, foi até a mesa, pegou o celular, sem nada dizer, e ia indo-se embora, quando a morena novamente o dirigiu a palavra:
-Ei, senhor, não quer saber o nome da minha amiga? É Daniela, pode chamar ela de Dani. Ela queria te conhecer melhor...
-EU SOU UM HOMEM CASADO, NÃO ESTÁ VENDO A ALIANÇA, SENHORA?!
Falou num impulso sem pensar. A loura caiu no choro. Zé saiu da porta bufando, bravo não só com a morena, mas consigo mesmo. "O que foi que eu fiz?".

Conformou-se com o fato que sua esposa também era muita areia pro seu caminhãozinho, e que fez o certo, estava de consciência limpa. Chegou no hotel, de táxi, com um remorso contínuo, ora por desperdiçar a loura, ora por ter tido intenção de trair a esposa, e com um falso alívio por ter alguém em casa esperando por ele.
Quando entrou no quarto eram 6:30. Ligou pra Marcinha, bêbado e com saudade, pra avisar que "estava acordando". Ela atendeu com vóz de sono:
-Oi, amor, já acordou assim tão cedo?
-Zimm, amor, (soluça), tô indo pra reunião
-Está bem, amanhã a gente se vê, estou morrendo de saudade.
-Eu tambééi amor! Te amo! (Ele nunca falava isso)
Na casa de Zé, Manoel cochichava no ouvido de Marcinha
-desliga isso logo e volta pra cá, benzinho.
Marcinha fez o que Manoel pediu.
"Ah, ele lá de São Paulo nunca vai desconfiar" pensava ela, induzida pelo poder de convencimento da confiança de Manuel"

José dormiu. No outro dia acordou, fez o que havia ser feito em São Paulo, e voltou pra casa. Viveu sempre infeliz ao lado de Marcinha, assombrado pelo choro desamparado daquela loura linda. Apesar de ir a São Paulo quase todo fim de semana, nunca traiu. Manoel, que seguiu amigo do casal até a morte, visitava quase semanalmente a solitária e nada melancólica casa do amigo quando o mesmo se ausentava.

Certa vez, aos 90 anos, Manoel contou tudo sobre o caso com a já falecida esposa do amigo, o qual deu de ombros... Nem prestou muita atenção. José amava mesmo era aquela liberdade que ele perdeu em São Paulo nas lágrimas da loura ("linda, linda, loura")
-Porra, Mané, que merda de camisa foi aquela que tu mandou eu usar? Foi tudo culpa daquela merda! Minha vida toda, passei preso na porra da Marcinha, ela que fosse embora com você então. Eu não tive forças, sou um fraco, e foi tudo culpa da merda da camisa... A merda da camisa (e repetia sem parar essa frase )
-Pô, Zé, achei legal a mensagem da camisa...
José não entendeu, nem quis.
Era preta, meio colada no corpo, com escritos em brancos, nas costas, nunca antes vistos por José, "O Senhor é meu pastor".
A culpa não era da "merda" da camisa. Mas ninguém teria coragem de dizer que era da "merda" do Senhor... Foi!

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Poesia torta

Foi a última que me abandonou
nem tenho bem certeza se partiu
aquela poesia inocente, infantil
nascida no dia em que a chuva me assustou

Nem sei se partiu ou ficou
na gaveta da maloca véia
ou 'num canto da memória etérea
mas ela vive a me perseguir aonde vou

Quando a escrevi, tão tortinha...
Ela não sabia se ficava ou partia...
Ficou! Ela me olhava e sorria
tão feinha...
e a chuva parava de dó
e a chuva sumia
-e só

domingo, 27 de dezembro de 2009

textos

Infância

A falsa crença na eternidade inutiliza relógios
mera decoração em pulsos infantis.
No impulso de crescer, ora, crescem
-as crianças-
e guardam em caixas tristonhas sua eternidade alegre
viram a ampulheta, até então estática
então, céticos, cegos, senis,
contam o tempo batendo pernas de ansiedade
e medo da ampulheta parar novamente.


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Lembrança


Em uma tarde vazia, eu fazia planos de que já me esqueci, e me veio aquele cheiro (talvez perfume), por nem um segundo ficou e o tempo já parou. Franzi a testa, mordi os lábios, olhei pra cima tentando lembrar, mas não lembrei.
Nãããão! O tempo volta a passar e o cheiro simplesmente se vai sem me fazer recordar do que ou de quem era. Sorrio mesmo assim. Não sem antes dar um longo e quase doloroso suspiro.


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Madrugada




Atentos, os grilos e cigarras cantam
-para meus bons ouvidos-
sinfonias arrítmicas sem harmonia
A noite (quem sabe pra ouvi-los), aos poucos, silência

(a vida é quente e pesada debaixo do meu lençol)

Pesa, a vida, sobre meus ombros cansados
Cansa milhões de pobres mortais de tê-la
e ter de ouvir o silêncio noturno e as sinfonias patéticas
que tu, vida, nua em sentido, e as cigarras e os grilos
oferecem.

Viver cansa

Sentido



Queria que viesse - em certa tarde nublada - um Deus desses de "d" maiúsculo e voz grave abrindo o caminho entra as nuvens com seus raios de sol, e me encontrasse em um descampado, sozinho, esperando-o sentado em uma pedra.
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Provavelmente, em um primeiro momento, eu sentiria vergonha fronte minha visita. Iria me engasgar e falar um "oi" de modo enrolado, enrubescendo-me e provocando um paternal sorriso naquele "carão" do criador, que me estaria encarando lá de cima.
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Então, eu, ingênuo, pensaria em tudo aquilo de que iria reclamar pra Ele, talvez cogitando xingá-lo: Como podia ele, onisciente e onipotente, permitir as guerras, a fome, etc...? Mas logo após respirar fundo e ver os enormes e calmos olhos que encarariam-me, iria desistir de qualquer ofensa. A onisciência divina me envergonharia (ora, um onisciente sabe de nossos pensamentos), mas "Papai" me acalmaria:
-Tudo bem, meu filho... Agora diga-me, ou pense somente, por que me chamou aqui?
Eu responderia de forma direta:
-Err... Senhor Deus (ele sorriria, sem tom de deboxe) eu gostaria de saber o sentido da vida...
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Ele gargalharia alto e afirmaria que iria me mostrar.
Tudo sumiria.
Então, eu seria transportado para uma espécie de filme "use filtro solar", algo como um flashback de programa de TV. As coisas mais maravilhosas do mundo passariam pelos meus olhos: Flores, florestas, mares, animais, mulheres lindas, artes; as músicas mais maravilhosas possíveis alcançariam meus ouvidos. Tudo acabaria enquanto eu flutuava extasiado em meio àquilo tudo. Fim de espetáculo.
-Viu, filho, queres mais sentido que isto pra viver?
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Sorriria amarelo e responderia que estou satisfeito, mas minha insatisfação com sua resposta transpareceria à onisciência em meus pensamentos (e transpareceria a qualquer um em meu sorriso amarelo).
Deus me saudaria e se iria embora feito um imortalzinho qualquer, envergonhado do fato de que como qualquer mortal, não tem nem idéia do sentido disso tudo.
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Quem sabe um dia me encontro com ele (ou melhor, Ele) vou lá cobrar o porque de eu existir nessas madrugadas longas e nesses dias curtos.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

O prédio e Das Utopias

O Prédio

Passo todos os dias por um prédio
mas não reparo nele, NUNCA!

flagrei-me dia desses reparando
ora, senti pena:
O prédio não é belo nem feio - é cinza!
tive pena pela insignificância
de ser só mais um - e cinza

E ele olhou-me e reparou em mim pela primeira vez
e ,desconfiado de meu olhar cinzento,
sentiu pena de mim

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Das Utopias (Mário Quintana)

Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos se não fora
A mágica presença das estrelas!

domingo, 13 de setembro de 2009

o cão e o alpinista

Havia, em minha rua (e há em quase todas) um cachorro vira-latas. Destes quase imortais, que têm uns dez apelidos diferentes. Amado pelas crianças e detestado pelos velhos ranzinzas e demais chatos, vivia perambulando pelo bairro (sem nunca se perder), comendo qualquer coisa e fazendo companhia aos mendigos. O que mais me chamava a atenção naquele cão era o fato dele correr atrás de carros.

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Ora, o carro está acima do cão na hierarquia das coisas mais perigosas, portanto, a lógica seria o cão fugir do carro, e não o contrário. Porém, esse animal dito irracional que morava em minha rua (ao qual eu chamava Batata, sem razão que eu me recorde) insistia em perseguir, em vão, automóveis vinte vezes mais pesados e potentes que ele, lutando pra capturar o incapturável. Creio que ele tenha morrido sem jamais alcançar nem ao menos o mais antigo fusquinha que pela rua passara.

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Conto agora, com a garantia de que a história agora contada terá uma intersecção interessante com a do cão, a história de um alpinista cujo sonho era subir o Everest:
Nasceu na minha rua e conhecia bem o cão, e após ter algum sucesso escalando montanhas, partiu com a promessa de retornar somente após escalar o monte mais alto do mundo.

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Voltou, o alpinista, dez anos após sua partida, completamente louco. Não sei de muito do que ocorreu-lhe fora da nossa rua, já que raramente dirigiu-me a palavra, mas sei que subiu o tão falado pico. Na verdade, as poucas palavras inteligíveis que dirigiu a mim após sua volta comprovaram o sucesso em sua escalada. Relato aqui, o episódio onde ocorreu nosso diálogo (ou seria monólogo?):
Saimos de nossas respectivas casas, eu e o alpinista, no mesmo exato momento, e vimos, ao mesmo tempo, o corpo de "Batata" estirado no chão. Não havia duvidas que não dormia, estava morto. Entreolhamo-nos, eu e o alpinista: Eu, curioso para saber sua reação; ele, com o habitual olhar descrente e cinzento. Abriu a boca de maneira estranha como se não falasse nada havia muito tempo e o ato de falar lhe fosse esquisito. "Feliz foi ele, que nunca escalou seu Everest. Eu, meu amigo (e agora já tinha um tom carinhoso - quase fraternal - na vóz), persegui durante dez anos um carro. E o alcancei. E sabe o quê?"
Balancei a cabeça negativamente me sentindo meio ridículo. Ele engoliu em seco com amargor, e continuou: "Porque não há nada pra fazer com aquela maldita montanha".

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O Mont Everest não é uma montanha, e ele não havia perseguido, de fato, um carro. Porém, não demorei a interpretar suas metáforas, e, assustado, entrei em casa com uma agonia que não passaria com a mera reflexão sobre aquilo que eu ouvira, desiludi-me com a falta de sentido da vida. Vi, pela janela, o alpinista caçando alguma utopia feito um cão atrás de carros, caminhando pelo bairro sem se perder, comendo qualquer coisa, acompanhando mendigos. Morreu um dia feito um cão, feito um ser humano, feito quem subiu o Everest.
E logo depois, desceu.